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Description:
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O objectivo central deste trabalho é o de caracterizar semanticamente as
predicações estativas, procurando determinar as propriedades e
comportamentos linguísticos que nos permitem identificá-las.
Para tal, começamos por reequacionar a noção de Aspecto, comparando-a com
outros conceitos relacionados. Avançamos critérios que possibilitem dar
conta do comportamento linguístico dos estativos. Sugerimos e fundamentamos
uma subclassificação para os estados, baseada nas oposições entre
predicados de indivíduo vs. predicados de “estádio”, por um lado, e entre
estados "faseáveis" e "não faseáveis," por outro.
Investigamos, depois, as diferentes configurações linguísticas que veiculam
estatividade: os estados lexicais, os estados obtidos a partir de verbos de
operação e de "perspectivação" aspectual, os estados consequentes e os
estados habituais. Abordamos a interacção que se estabelece entre os
estados e outros componentes da gramática, em particular os tempos
gramaticais, os adverbiais de localização e de medição temporal, os
adverbiais frequentativos e habituais e as orações temporais. Avaliaremos o
impacto que a estatividade assume na organização temporal dos discursos,
discutindo o papel das diferentes subclasses de estativos na interpretação
de frases linearmente ordenadas.
Finalmente, tentamos demonstrar que as subclasses de estativos propostas
derivam da intervenção de dois factores: um, de ordem temporal, responsável
pela diferenciação entre estados de indivíduo e de "estádio," e outro, de
natureza aspectual, associado à distinção entre estados "faseáveis" e "não
faseáveis."
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